Um novo ponto de partida para a Academia Africana de Ciências

 

Sob nova liderança, a Academia Africana de Ciências (AAS) está se tornando uma voz mais forte para os cientistas do continente, após um dos momentos mais difíceis de sua história.

“Temos uma missão renovada”, disse Peggy Oti-Boateng, diretora executiva da AAS, durante o lançamento do plano estratégico da academia em 29 de fevereiro.

“Anteriormente, aproveitamos nossos recursos, mas agora queremos alavancar a ciência, a tecnologia e a inovação para o desenvolvimento sustentável do continente.”

Lise Korsten, presidente da AAS, afirmou à Nature: “Queremos nos apresentar como uma academia global, representando a voz dos cientistas africanos”.

Para a AAS, este é um passo significativo e oportuno, marcando o início de um novo capítulo em seus quase 40 anos de existência.

Essa decisão vem após um período desafiador na história da AAS. A academia, com sede em Nairobi, é uma sociedade de pesquisa pan-africana, inspirada em academias de ciências em todo o mundo. Fundada por figuras proeminentes como o entomologista queniano Thomas Odhiambo e o matemático sudanês Mohamed Hassan, a AAS cresceu ao longo dos anos. No entanto, em 2021, enfrentou uma crise quando os principais financiadores retiraram seu apoio, citando preocupações com a governança interna da academia.

Considerando esses eventos, é importante destacar que as academias de ciências geralmente não são criadas para actuar como agências de financiamento em larga escala. Seu papel principal é valorizar os pesquisadores do país, concedendo bolsas e prémios, além de representar os interesses científicos perante os governos e aconselhar os políticos quando necessário. Portanto, a AAS está retornando ao seu foco principal com este novo plano estratégico.

Além disso, a academia está sob nova gestão e direcção. Oti-Boateng, bioquímica ganense e ex-conselheira científica da UNESCO, está liderando o caminho junto com Korsten, uma pesquisadora sul-africana especializada em segurança alimentar e a primeira mulher presidente da AAS.

O plano estratégico, que vai até 2027, concentra-se em cinco áreas principais: ambiente e mudanças climáticas, saúde e bem-estar, ciências naturais, política e governança, e ciências sociais e humanas. As melhorias nessas áreas não apenas beneficiarão os países africanos, mas também contribuirão para o avanço global.

Esta estratégia chega em um momento crucial. Com a adesão da União Africana ao G20, os cientistas africanos agora têm uma plataforma ampliada para discutir desafios globais e influenciar políticas. A AAS, juntamente com as academias nacionais de ciências de cada país africano, está desempenhando um papel crucial nesse processo.

Além disso, o plano inclui a atracção de cientistas da diáspora africana como membros. Isso visa fortalecer os laços entre pesquisadores africanos em casa e no exterior, contribuindo para o desenvolvimento científico do continente.

Após os desafios enfrentados, a AAS está pronta para se recuperar e avançar com um novo vigor. Com o apoio contínuo da comunidade científica e o compromisso renovado com sua missão, a academia está determinada a alcançar seus objectivos e promover o avanço científico na África.

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