Achille Mbembe ganha Prémio Holberg

O professor Achille Mbembe, nascido nos Camarões e docente na Universidade de Witwatersrand (Wits) na África do Sul, fez história ao se tornar o primeiro africano a receber o prestigiado Prémio Holberg. Este reconhecimento internacional é concedido anualmente a “um pesquisador notável nas áreas de humanidades, ciências sociais, direito ou teologia”, conforme anunciado pela secretaria do prémio.

O Prémio Holberg, avaliado em cerca de 575 mil dólares, é administrado pela Universidade de Bergen, em nome do governo norueguês. A escolha de Mbembe como laureado foi elogiada pela presidente do comitê Holberg, Heike Krieger, que destacou a amplitude e a profundidade do trabalho acadêmico de Mbembe.

Aclamado como um dos principais pensadores da África pós-colonial, Mbembe é reconhecido por sua dedicação em enfrentar a verdade histórica e explorar formas alternativas de habitabilidade e consciência planetária. Seu trabalho transcende uma noção particularizada de descolonização, buscando uma recentragem universalista do humano.

O Prêmio Holberg, que homenageia o escritor dinamarquês-norueguês Ludvig Holberg, reconhece a contribuição excepcional de Mbembe para o campo acadêmico global. Com obras traduzidas para 17 idiomas, ele será celebrado em uma cerimônia na Universidade de Bergen em 6 de junho.

Em entrevista ao University World News, Mbembe expressou sua gratidão pelo reconhecimento, enfatizando sua importância para a recentragem de África nos circuitos globais de produção de conhecimento. Ele destacou a necessidade de uma ética da hospitalidade nas universidades africanas e alertou para os desafios enfrentados pela democracia e pelo ensino superior no continente.

Além de validar seu trabalho académico, político e de ensino superior, o prémio inspira esperança para as futuras gerações de académicos africanos, incentivando-os a buscar excelência e impacto global em suas pesquisas. A conquista de Mbembe é vista como um marco significativo na jornada rumo à recentragem da África nos debates intelectuais globais e ao fortalecimento da presença africana na arena académica internacional.

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