ARUA pretende formar 1000 Doutores por ano em África

A Aliança Africana de Universidades de Pesquisa (ARUA) revelou em seu plano estratégico para o período de 2022 a 2027 sua ambiciosa meta de auxiliar as universidades membros a produzir 1.000 Doutores anualmente até o final do referido período. Esse objectivo representa um aumento significativo em relação à média de 200 Doutores que as universidades africanas têm produzido até então.

Essa iniciativa da ARUA surge em resposta ao déficit alarmante de pesquisadores altamente qualificados na região, necessários para enfrentar os diversos desafios de desenvolvimento que o continente enfrenta. Enquanto a produção de doutorados em países africanos ainda é relativamente baixa, outras regiões do mundo, como América Latina, Ásia, Estados Unidos e Europa, têm registrado números muito mais expressivos nesse aspecto.

A necessidade de aumentar o número de doutorados na África é urgente, especialmente considerando que menos de 50% do corpo docente da maioria das universidades possui doutorado. Isso resulta em uma contribuição desproporcional da região para a produção global de conhecimento, permanecendo abaixo de 3%.

A ARUA reconhece que, para impulsionar o desenvolvimento sustentável na África e alcançar os objectivos estabelecidos na Agenda 2063 e nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), é essencial investir em pesquisa e inovação. No entanto, o impacto desse aumento na produção de Doutores depende da qualidade e do tipo de pesquisa realizada.

Para garantir que esse esforço não apenas aumente os números, mas também mantenha altos padrões de qualidade, a ARUA está lançando um projecto piloto colaborativo, apoiado pela Fundação Mastercard, com o objectivo de desenvolver um modelo que possa ser adoptado por todas as universidades africanas para expandir seus programas de doutorado.

O projecto visa fornecer suporte financeiro adequado aos estudantes, superar desafios de infra-estrutura e garantir supervisão eficaz. Além disso, promoverá a mobilidade dos estudantes, permitindo que participem de projectos de pesquisa em toda a região e, possivelmente, em universidades parceiras na Europa.

Um dos focos principais do projecto é a inclusão de mulheres e jovens pesquisadores, visando a equidade de género e o desenvolvimento de uma nova geração de académicos altamente qualificados.

A ARUA está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades nacionais e regionais para garantir o apoio necessário e remover quaisquer obstáculos regulatórios que possam surgir. O sucesso desse projecto piloto não apenas fortalecerá as capacidades de pesquisa na África, mas também contribuirá para o alcance da meta da União Africana de produzir 100.000 doutorados em 10 anos.

Com esse empreendimento, a ARUA está demonstrando um compromisso sério em impulsionar a pesquisa e a inovação na África, capacitando uma nova geração de líderes académicos e contribuindo para o desenvolvimento sustentável e inclusivo em toda a região.

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