O neurologista Nicholas Schiff, do Weill Cornell Medical College, em Nova Iorque, destaca a falta de terapia para problemas cognitivos decorrentes de lesões cerebrais traumáticas. Em um pequeno estudo, Schiff e colegas implantaram eletrodos no tálamo de cinco pacientes com lesões cerebrais moderadas a graves. O tálamo, responsável por transmitir informações aos córtex pré-frontal e frontal do cérebro, foi escolhido devido à sua conexão com as funções executivas. Após a estimulação cerebral profunda, os pacientes apresentaram melhorias nos testes de atenção e processamento de informação, além de relatos de melhorias nos sintomas e na vida diária.

A técnica de estimulação cerebral profunda envolve a implantação de eletrodos no cérebro, alimentados por um marca-passo, para electricamente estimular regiões cerebrais específicas. Esta abordagem tem sido eficaz em condições como a doença de Parkinson e epilepsia. O estudo sugere que a estimulação direta do tálamo pode ser uma terapia viável para o comprometimento cognitivo pós-lesão cerebral traumática.

O estudo envolveu seis pacientes submetidos à cirurgia para implantar os dispositivos eléctricos. Após a programação dos dispositivos durante duas semanas, os pacientes foram testados usando o Teste de Trilha, no qual tiveram que conectar círculos em ordem crescente de números e letras. Após três meses de estimulação, os pacientes reduziram significativamente o tempo necessário para completar o teste.

Em um artigo separado, os pesquisadores descreveram os relatos positivos dos participantes e suas famílias sobre o tratamento. Os pacientes conseguiram realizar actividades cotidianas que antes eram desafiadoras ou impossíveis, e suas famílias testemunharam melhorias significativas. O estudo é considerado um passo promissor, e Schiff planeja conduzir ensaios adicionais com mais participantes e por um período mais longo para aprofundar a compreensão e transformar a estimulação cerebral profunda em uma terapia efectiva para lesões cerebrais traumáticas.

Este avanço na estimulação cerebral profunda oferece esperança para milhões de pessoas nos Estados Unidos e em todo o mundo que vivem com os efeitos debilitantes de lesões cerebrais traumáticas. Com os resultados promissores deste estudo, há uma perspectiva optimista de que a técnica possa evoluir para se tornar uma terapia padrão, proporcionando melhor qualidade de vida e recuperação funcional para aqueles que enfrentam os desafios persistentes dessas lesões. O trabalho contínuo de Nicholas Schiff e sua equipe destaca a importância de explorar novas abordagens para tratamentos neurocientíficos inovadores, oferecendo uma luz no fim do túnel para aqueles afectados por condições neurológicas complexas.

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