Quando se trata do intrigante comportamento de abanar o rabo entre cães, cientistas ainda buscam respostas para diversas questões. Em uma nova revisão da literatura científica, a etóloga Sílvia Leonetti e sua equipe exploraram o vasto campo de estudos sobre o assunto, revelando tanto o que já é conhecido quanto os mistérios que ainda envolvem esse comportamento canino. O estudo foi publicado em 17 de Janeiro na Biology Letters.

“Entre todos os comportamentos animais possíveis que os humanos experimentam na vida cotidiana, o abanar do rabo do cão doméstico é um dos mais comuns”, observou Leonetti, agora na Universidade de Torino, na Itália. “Mas muito do comportamento canino continua sendo um enigma científico.”

A revisão destaca que, embora saibamos que os cães utilizam a cauda para se comunicar com outros cães e até com humanos, ainda há lacunas significativas em nossa compreensão. Um aspecto crucial é quanto desse comportamento está sob o controle consciente dos cães.

A equipe também levantou hipóteses sobre as origens do comportamento de abanar o rabo. Uma teoria sugere que o abanar pode ser uma resposta à necessidade humana de ritmo, uma vez que o cérebro humano responde positivamente a padrões rítmicos. Outra hipótese aponta para a síndrome de domesticação, sugerindo que características consideradas desejáveis para procriação, como temperamento, podem estar geneticamente ligadas ao abanar da cauda.

“As pessoas pensam que abanar o rabo é sinónimo de cachorro feliz. Mas na verdade é muito mais complicado do que isso”, comenta Emily Bray, especialista em cognição canina da Universidade do Arizona.

Embora saibamos que o abanar da cauda é usado principalmente para comunicação e que diferentes movimentos indicam diferentes estados emocionais, os cientistas ainda não conseguem explicar por que os cães domésticos parecem abanar mais do que outros caninos, como os lobos.

O biólogo evolucionista Tom Reimchen, da Universidade de Victoria, na Colúmbia Britânica, destaca a necessidade de mais pesquisas comparativas entre espécies caninas não domésticas para entender se há diferenças significativas no comportamento de abanar o rabo.

Leonetti sugere uma abordagem multidisciplinar para futuras pesquisas, envolvendo neurologia, cognição e fisiologia. Ela ressalta que, como o processo de domesticação foi um processo evolutivo, o estudo do comportamento dos cães pode proporcionar insights não apenas sobre o comportamento canino, mas também sobre a psicologia humana.

Além disso, a pesquisadora enfatiza a importância de uma abordagem multidisciplinar, propondo a integração de estudos neurocientíficos, cognitivos e fisiológicos para desvendar completamente o mistério por trás do abanar do rabo. O processo de domesticação, que envolveu a intervenção humana, pode fornecer não apenas pistas sobre o comportamento canino, mas também lançar luz sobre a psicologia humana. Compreender a complexidade desse comportamento não apenas aprimoraria o bem-estar dos animais de estimação, permitindo que os proprietários interpretem melhor os sinais de seus companheiros caninos, mas também enriqueceria nosso conhecimento sobre a relação única entre humanos e cães ao longo da história da domesticação.

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