Recentemente, o Instituto Nacional de Sementes (Inase) da Argentina tomou uma medida significativa ao aprovar o registro de seis variedades de sementes de Cannabis destinadas a aplicações medicinais. Essas variedades foram desenvolvidas em colaboração com o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet). Duas das variedades aprovadas, conhecidas como Pachamama e Malvina, receberam licenças para comercialização pela empresa Puerto Madryn Whale Leaf Farm, sob a condição de serem rastreáveis em todo o processo.

Essas selecções específicas das variedades têm como objectivo garantir níveis padronizados de dois compostos principais da Cannabis: o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC). Isso ocorre porque a concentração desses compostos é mais alta nas plantas femininas da Cannabis. Essa abordagem visa oferecer consistência e previsibilidade nos efeitos terapêuticos dessas variedades.

A aprovação dessas variedades reflecte um passo adiante na regulamentação e pesquisa em torno do uso medicinal da Cannabis na Argentina. Em 2022, o Congresso argentino já havia aprovado uma lei que promove a pesquisa sobre a planta e seus derivados, complementando regulamentos anteriores que autorizavam o uso terapêutico da Cannabis. Essa decisão visava incentivar o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para uma variedade de condições médicas.

Um destaque notável é o uso do óleo de Cannabis no tratamento da epilepsia refractária, uma condição que não responde a dois medicamentos de primeira linha. Uma pesquisa liderada pela neurologista Silva Kochen, do Hospital El Cruce, acompanhou 44 pacientes com epilepsia refractária durante seis meses, utilizando o óleo de Cannabis como parte de seu tratamento. Os resultados demonstraram que 87% dos pacientes experimentaram uma redução de pelo menos 50% no número de crises epilépticas, o que aponta para o potencial terapêutico promissor do óleo de Cannabis nesse contexto.

Esses desenvolvimentos indicam uma mudança progressiva na percepção e utilização da Cannabis como recurso medicinal na Argentina. A aprovação de variedades específicas de sementes, juntamente com os resultados positivos no tratamento da epilepsia refractária, sinaliza uma abordagem mais aberta para explorar o potencial terapêutico dessa planta.

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