O governo francês anunciou uma série de medidas para reformar a organização da pesquisa no país, alegando que reduzirá a burocracia e colocará a ciência “no centro das decisões políticas”, conforme declarou o Presidente Emmanuel Macron.

Essas reformas representam a maior reestruturação do sistema de pesquisa na França em cerca de duas décadas e estão alinhadas com propostas apresentadas pelo geofísico Philippe Gillet, a pedido da Ministra da Pesquisa Sylvie Retailleau no início deste ano. Entre as mudanças, está a criação de um Conselho Presidencial de Ciência, composto por 12 renomados cientistas que se reunirão regularmente para aconselhar o presidente sobre estratégias de pesquisa e questões fundamentais enfrentadas pelos cientistas.

Macron apresentou o plano de um bilhão de euros para cerca de 300 pesquisadores, políticos e líderes empresariais no Palácio do Eliseu em Paris, em 7 de Dezembro. As reformas incluem a transformação, nos próximos 18 meses, dos sete institutos nacionais de pesquisa em ‘agências de programa’, cada uma responsável pela estratégia e coordenação de toda a pesquisa em um tema específico.

Além disso, Macron prometeu medidas adicionais para aumentar a autonomia das universidades, dando-lhes supervisão sobre grupos de pesquisa baseados em universidades que incluem pesquisadores das agências nacionais.

O presidente também se comprometeu a implementar medidas para economizar tempo dos pesquisadores, como a redução do número de avaliações de qualidade, tomadas de decisão sobre financiamento de bolsas em seis meses em vez de um ano, e o estímulo a colaborações entre universidades e instituições de pesquisa públicas.

Alain Fischer, presidente da Academia de Ciências da França, elogiou as medidas como “positivas no geral”, expressando entusiasmo pela complexidade das propostas. No entanto, ele apontou lacunas na representação de certas áreas no Conselho Presidencial de Ciência, como química, ciências da Terra e astrofísica.

Enquanto alguns elogiaram as mudanças, outros foram críticos, chamando-as de “ideológicas” e alertando para a falta de abordagem à complexidade do financiamento da pesquisa. Pesquisadores expressaram preocupações sobre as questões imediatas enfrentadas por instituições como o CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), que podem não ser resolvidas pelas reformas de alto nível.

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