Como correr uma maratona em menos de duas horas

Em um evento não oficial de corrida realizado em Viena no ano de 2019, o renomado corredor de longa distância queniano, Eliud Kipchoge, conquistou um feito extraordinário ao se tornar o primeiro indivíduo a completar uma maratona em menos de duas horas. Recentemente, uma pesquisa revelou como o trabalho em equipe desempenhou um papel crucial na realização desse feito impressionante.

Kipchoge contou com a colaboração de um grupo de “marca-passos”, corredores que adoptaram uma estratégia de posicionamento que reduzia a resistência do ar, processo conhecido como “drafting”. De acordo com um estudo divulgado em 16 de Agosto na revista Proceedings of the Royal Society A, testes realizados em túneis de vento utilizando manequins simulando os corredores indicam que esses marca-passos economizaram um tempo de 3 minutos e 33 segundos, fazendo com que o tempo final fosse incrivelmente abaixo das duas horas, marcando 1 hora, 59 minutos e 40 segundos. Além disso, a equipe de pesquisa propõe que uma formação alternativa de marca-passos poderia ter reduzido um tempo adicional de 49 segundos, proporcionando a Kipchoge um impulso ainda maior.

No próximo mês de Setembro, Kipchoge e seus colegas atletas irão tentar quebrar a barreira das duas horas em uma corrida profissional que ocorrerá em Berlim.
No próximo mês de Setembro, Kipchoge e seus colegas atletas irão tentar quebrar a barreira das duas horas em uma corrida profissional que ocorrerá em Berlim.

Corredores de elite em maratonas frequentemente contam com uma equipe de apoio que se reveza para mantê-los no ritmo durante a corrida. Estudos anteriores, incluindo experimentos em ambientes reais e simulações por computador, já haviam sugerido que correr entre esses marca-passos pode diminuir significativamente o arrasto experimentado por um atleta.

Neste novo estudo, conduzido pelo engenheiro mecânico Massimo Marro e sua equipe da École Centrale de Lyon, na França, a equipe utilizou um túnel de vento para medir a força do arrasto sobre manequins, permitindo assim que diversas configurações de posicionamento fossem testadas de maneira eficiente. Replicando a formação utilizada por Kipchoge em 2019, que envolvia cinco em uma formação em “V” na frente e mais dois atrás, os pesquisadores conseguiram reduzir cerca da metade do arrasto sentido pelo atleta, o que foi suficiente para economizar aproximadamente três minutos e meio de seu tempo total. Além disso, foram identificadas três novas formações que poderiam ainda mais optimizar o desempenho.

Em um design inovador, os cinco marca-passos foram posicionados em uma formação em “T” minúsculo: um após o outro na frente, seguidos por dois corredores lado a lado e, por fim, mais um atrás deste par. Através de cálculos, os pesquisadores estimaram que essa nova formação teria economizado um tempo ainda maior caso Kipchoge estivesse correndo sozinho a sua velocidade de maratona, totalizando 4 minutos e 22 segundos. “Essa formação permite cortar o ar de maneira mais eficaz”, explica Rodger Kram, fisiologista da Universidade do Colorado em Boulder, que não esteve envolvido na pesquisa. “É verdadeiramente inovadora.”

Apesar de competições oficiais normalmente permitirem apenas a presença de dois ou três corredores, Kram sugere que os atletas poderiam empregar uma “estratégia colaborativa”, alternando-se para aproveitar as zonas de sombra uns dos outros, potencialmente aprimorando seu desempenho.

No próximo mês de Setembro, Kipchoge e seus colegas atletas irão tentar quebrar a barreira das duas horas em uma corrida profissional que ocorrerá em Berlim. Foi nessa mesma cidade, em 2018, que Kipchoge estabeleceu o atual recorde oficial de 2 horas, 1 minuto e 39 segundos.

“O limite está à vista, mas ainda não foi ultrapassado”, declara Marro. “Essas estratégias colaborativas podem desempenhar um papel crucial em aprimorar os registros estabelecidos.”

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