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Vamos Viajar no tempo

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A ficção científica de hoje pode ser a ciência de amanhã não é mesmo?

Vıagem no tempo
Vıagem no tempo

No romance A máquina do tempo de H.G Wells publicado em 1895, a viagem do tempo seria algo possível. Saindo da ficção e partindo para a ciência, a viagem no tempo pode ser um tema importante de pesquisa, mas para Stephen Hawking deve-se ter cautela para não gerar burburinhos, devido à excentricidade do assunto. Contudo, existem algumas teorias que tentam explicar suas possibilidades e suas contradições e é sobre isso que falaremos hoje.

Pela Física conhecida atualmente, não existe um tempo único e absoluto. Segundo Albert Einstein, o tempo comporta-se de maneiras diferentes dependendo de como o observador movimenta-se. Quanto maior a velocidade, mais devagar o tempo passa.

O desejo de realizar viagens estelares de forma rápida fomenta muito a imaginação do ser humano. Supondo que pudéssemos viajar tão rápido – cerca de 99,99% da velocidade da luz -, para fazer uma breve visitinha, à estrela mais próxima da Terra, a Alfa Centauri, e então retornar à Terra, demoraríamos cerca de 4 meses e meio. De acordo com a relatividade restrita, o tempo para os viajantes da nave passa diferente comparando-se ao dos habitantes da Terra. Assim quando a nave retornasse à Terra, as pessoas que conhecíamos estariam mais velhas, pois para elas passariam 8 anos.

Einstein demonstrou que seria preciso uma quantidade infinita de potência para acelerar um foguete na velocidade da luz e, essa tecnologia não é possível. Então de que outra forma essa viagem poderia ser feita e de maneira mais rápida? Isso mesmo, com um outro tipo de viagem no tempo. Ela está intimamente ligada à capacidade de ir rapidamente de um ponto a outro.

Pela teoria da Relatividade Geral, sabemos que o espaço-tempo é distorcido pela matéria, assim como temos evidências que ele pode ser curvado. Segundo Stephen Hawking, a única maneira razoável de se fazer tal viagem de forma rápida, seria criando uma dobra no espaço-tempo, de tal maneira que um pequeno tubo fosse concebido, popularmente chamado de buraco de minhoca.

Esse tubo conectaria dois lugares do Universo, possivelmente em tempos diferentes, sendo um atalho que permitiria ir e voltar no tempo, possibilitando que reencontre seus entes queridos falecidos com vida ou seus tatara-tataravós vivos após um passeio pela galáxia. Hawking também cita que é possível demonstrar que, para isso, seria necessário realizar a dobra de maneira oposta à que o espaço-tempo é deformado pela matéria, algo parecido como uma sela. Para esse feito, seria necessário matéria com massa negativa e densidade de energia negativa.

As leis clássicas da Física não englobam essa possibilidade, porém, segundo a teoria Quântica – outra revolução da ciência – isso seria possível. Ela permite que a densidade de energia seja negativa em alguns lugares, desde que seja positiva em outros. Uma maneira de observar indiretamente isso é por meio do efeito Casimir. Por intermédio desse efeito, também é possível ter evidências de que pode-se deformar o espaço-tempo na direção negativa.

Mas isso criaria uma série de questões. Por exemplo, se a viagem do tempo um dia será possível, por que até hoje nenhum turista vindo do amanhã veio nos contar? Uma maneira de tentar de explicar, seria dizer que talvez só possamos ir rumo ao futuro.

Para os que pensam que voltar pode ser uma opção, existem diversos paradoxos, como o de regressar ao passado e matar os próprios pais. Para solucionar tais indagações, existem várias outras explicações. Uma das mais famosas, para quem já assistiu De volta para o Futuro, é chamada de abordagem das histórias alternativas, mas isso seria assunto para outra longa conversa.

Para Stephen Hawking, aparentemente estamos em um cenário consistente, em que “as leis da Física conspiram para impedir a viagem no tempo em escala macroscópica ” (Hawking, p. 166, 2018) e que, de alguma maneira, uma patrulha do tempo mantém o mundo à salvo para os historiadores.

Texto por: Rafael Welter

REFERÊNCIAS:

[1] HAWKING, Stephen. Uma breve história do tempo. 1.ed. Rio de janeiro: Intrínseca, 2015. p.179-190.

[2] HAWKING, Stephen. Breves respostas para grandes questões. 1.ed. Rio de janeiro: Intrínseca, 2018. p.147-167.

¹Refêrencias de imagens.

https://www.imperiodosantigos.com.br/relogios/outros-relogios/antigo-relogio-de-bolso-prata-800-le-vrai-frances

https://revistamonet.globo.com/Filmes/noticia/2019/07/christopher-lloyd-o-doc-brown-quer-de-volta-para-o-futuro-4-tratando-de-mudancas-climaticas.html

https://s1.static.brasilescola.uol.com.br/be/conteudo/images/a-luz-propaga-se-no-vacuo-com-velocidade-limite-conhecida-cerca-300-mil-quilometros-por-segundo-5c190fc3f1022.jpg

https://www.tecmundo.com.br/ciencia/141135-especialistas-acreditam-viagem-buraco-minhoca-lenta.htm