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Cientistas encontram vírus de 48,5 mil anos na Sibéria

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Fotografia de dunas de neve na Sibéria.  Orchidpoet/Getty Images
Fotografia de dunas de neve na Sibéria.
Orchidpoet/Getty Images

É um vírus gigante que voltou à ativa e estava no subsolo congelado da região russa de Yakutia. Mas não se preocupe: ele só infecta amebas.

A Sibéria abriga o permafrost mais espesso do mundo: ao norte da região (que faz parte da Rússia), há 1,5 km de solo permanentemente congelado, logo abaixo da superfície. Essa mistura de gelo, rochas e sedimentos é um esconderijo para milhões de micro-organismos, porque as baixas temperaturas permitem que eles permaneçam por lá sem se decompor – por milhares de anos.

Vírus estão entre as “criaturas-zumbis” que, volta e meia, os cientistas encontram em regiões de permafrost. Não é qualquer tipo de vírus: são os gigantes, que infectam amebas e têm dez vezes o tamanho de um vírus comum. E um grupo liderado por Jean-Michel Claverie, pesquisador da Universidade Aix-Marseille (França), acabou de encontrar um deles – com 48,5 mil anos de idade.

Cientistas já resgataram vírus de 30 mil anos do permafrost. Mas 48,5 mil é um recorde mundial, segundo Claverie. A criatura veio do solo congelado que existe abaixo de um lago na região russa de Yakutia. A equipe encontrou também outros seis tipos de vírus – o caçula está congelado há 27 mil anos.

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Todos são vírus gigantes que infectam amebas. Aliás, é exatamente assim que os pesquisadores procuram: eles adicionam amostras do solo congelado a culturas de amebas e, depois, as inspecionam com um microscópio. Sinais de infecção mostram que o vírus voltou à ativa e está se replicando.

A equipe estudou os genomas dos setes vírus e verificou que são diferentes dos conhecidos anteriormente. Em seguida, relatou as caracterizações preliminares das criaturas em um artigo disponível online e ainda não revisado por outros pesquisadores – uma etapa comum da produção de conhecimento científico.

A volta dos que não foram

A presença de vírus antigos e outros micro-organismos no subsolo da Sibéria e de outras regiões geladas, como o Alasca, é especialmente perigosa em tempos de aquecimento global, porque o degelo do permafrost pode trazer essas criaturas de volta.

E, como explica Claverie, se os vírus gigantes permanecem infecciosos depois de congelados por tanto tempo, outros tipos de vírus – menores, que infectam plantas e animais – possivelmente fazem o mesmo. Eis mais um problema na conta da crise climática.

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