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YouTube prejudica qualidade do sono

Estudo mostra que plataforma de vídeos curtos reduz em até 24% a possibilidade de dormir bem e atrasa 13 minutos o adormecer.

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YouTube prejudica qualidade do sono
YouTube é prejudica qualidade do sono

Pesquisa realizada por cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, mostra que o YouTube é mais prejudicial ao sono dos adolescentes do que a Netflix ou a TV tradicional. Trinta minutos assistindo aos vídeos curtos do site levou a um atraso de 13 minutos no sono dos jovens. E a cada 15 minutos adiante, a chance de ter um sono saudável e suficiente para acordar disposto no dia seguinte reduziu em 24%.

Entretanto, para a surpresa dos autores do estudo, aqueles que assistiram TV, ou estavam conectados na Netflix, pela mesma quantidade de tempo antes de dormir foram para a cama em média nove minutos mais cedo.

O estudo foi feito em oito escolas e ouviu cerca de 700 alunos entre 12 e 19 anos. Cada um deles foi para a cama por volta das 22h, apagou as luzes às 22h35 e levou cerca de 30 minutos para adormecer. Quase todos os adolescentes (98%) usaram pelo menos um dispositivo uma hora antes de dormir – como telefone, laptop ou TV – e três quartos relataram usar um enquanto estavam na cama.

Os telefones foram os mais populares (98%), seguidos por laptop e quase 70% disseram que assistem TV antes de dormir.

A análise mostrou que, embora o YouTube tenha sido o terceiro aplicativo mais popular para usar — com metade dos adolescentes fazendo login —, ele levou os usuários a passar mais tempo na cama (por cerca de 25minutos a mais).

Para efeito de comparação, o Instagram, aplicativo mais popular pelos jovens, usado por seis em cada dez participantes, foi usado na cama por 17 minutos.

Segundo a equipe de pesquisadores, o YouTube foi classificado como um “perigo para dormir” porque seus vídeos curtos aliados a reprodução automática e recursos de clipes recomendados levam os usuários a “perder o controle” do tempo e ficar colados em suas telas noite adentro.

Como a pesquisa foi realizada entre junho e setembro de 2019, antes do lançamento do TikTok na Austrália e da pandemia de Covid, o aplicativo que mais cresce no mundo não foi incluído, entretanto, outros estudos já alertam que ele também piora o sono e que provavelmente deixa os usuários mais cansados durante o dia.

A Netflix, apesar de adiantar o tempo de sono dos jovens, também foi associada a uma maior probabilidade de se sentir cansado durante o dia. Segundo os pesquisadores, ela e o ato de assistir à televisão podem ser consideradas mídias ‘estruturadas’ — onde os usuários decidem assistir a um determinado programa ou filme com um início e um fim claros.

E o YouTube é “quase inteiramente o oposto”, como eles o descrevem, onde o conteúdo é “sem fim” e “personalizado para o espectador individual por um algoritmo que aprendeu o que eles gostam de assistir”.

O Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) diz que todo adolescente deve ter em média de oito a dez horas de sono por noite e alertam que estar cansado nessa idade pode levá-los a ter dificuldades para se concentrar na escola, além de aumentar o risco de sofrerem de depressão, pensamentos suicidas, obesidade e diabetes tipo 2.

Especialistas na área da saúde afirmam que é melhor não usar nenhum dispositivo uma hora antes de dormir, ou enquanto estiver na cama, para garantir uma boa noite de sono, pois a luz azul emitida pelos dispositivos pode interferir no ritmo circadiano do corpo reduzindo a chance de adormecer.

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