Por: Mauro Mendes – Coach e Consultor Político.

Começo este artigo com duas referências sobre educação. Uma do sociólogo Emille Durkheim e a outra do filósofo J. J. Rousseau. ” A educação”, dizia Durkheim, é a acção exercida pelas gerações mais velhas sobre as que ainda não estão amadurecidas para a vida social”. Nesta perspectiva, «os mais velhos» têm a obrigação de conduzirem os mais novos, seguindo uma trajectoria com valores e normas sociais sólidas, para que se transformem em cidadãos conscientes e activos de uma determinada sociedade.
Esta condução só se processa através de uma socialização que incida sobre a formação do ser humano e que tenha como base a educação, uma vez que esta afigura-se como o instrumento fundamental que permite ao ser humano transformar-se num ser melhor.

Parafraseando J.J.Rousseau, na sua filosofia humanista, este concebe o homem como um ser educável. “O homem”, afirmava Rousseau, “é o único animal que educamos, ou antes que se educa a si próprio”. Para Rousseau, “essa educação não tem outro sentido senão arrancar o homem da natureza para o induzir no mundo da cultura”. Esta perspectiva de Rousseau remete-nos para a noção do ser humano como fazendo parte de uma espécie inacabada que tem de se formar ela própria para atingir a sua perfeição. Tal perfeição tem como base  a cultura, aqui entendida como processo social. O Homem é, na verdade, um ser essencialmente cultural, por isso, “a sua educação deve ser uma disciplina que o liberte da visão limitada, irracional que lhe é imposta pela sua família e pelas suas próprias paixões, e o desperte para o conhecimento racional e para a participação numa sociedade que se organiza a acção da razão”.

É nesta perspectiva que devíamos encarar o papel da educação dos cidadãos no contexto angolano, como um instrumento eficaz para a realização dos desafios da sociedade, um dos quais se aproxima. O Processo Eleitoral interno a nível dos Partidos.

1.2. Eleições e Civismo

Embora não seja uma categoria necessariamente política, o civismo é uma componente significativa a nível das relações interpessoais. É, por isso, impensável falarmos em processo eleitoral sem abordarmos a problemática do civismo e das suas implicações no quadro das relações entre os actores políticos e os eleitores, em geral.

Sendo o civismo uma atitude do indivíduo, na relação com o outro, ela manifesta-se através das boas maneiras e das praticas da boa educação e dos valores sociais, ou seja, “aqueles que dizem respeito á sociedade no seu sentido mais lacto e não nos próximos e conhecidos”.

Os valores sociais dizem ainda respeito a vida em democracia, a tolerância, a abertura de espírito. ao pluralismo, ao espírito democrático, ao respeito pelas opiniões alheias e pelas leis, organização democrática, definição de regras, responsabilidades colectiva, consciência de direitos e deveres.

Ter consciência cívica significa possuir princípios de urbanidade, ou seja, ter bom trato na relação com o outro e possuir uma perspectiva de sociabilidade que se manifesta na capacidade do indivíduo viver e conviver com os outros na base do respeito pelas diferenças. Deduza-se deste inventário sobre o civismo que a atitude cívica dos eleitores deve manifestar-se tambem na capacidade de se tomar a perspectiva do outro, reconhecendo nele, “voz” (direito a exprimir a sua opinião) ainda que com ela não estejamos de acordo e “vez” (o direito a ser diferente).

2. Eleições e Estabilidade Política Interna

No campo político muito se tem falado sobre a importância da Estabilidade Política Interna. É uma das matérias trabalhadas quer em Ciência Política quer em Serviço Social. Qualquer uma destas ciências trata a estabilidade interna como um dos factores mais importantes para o funcionamento dos próprios partidos políticos como para o exercício da governação. No caso de Angola, pela nossa História recente, a estabilidade política interna afigura-se como um dos factores mais desejáveis durante o pleito eleitoral interno.

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