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O Rei- Filósofo segundo Platão

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A ideia de rei-filósofo foi apresentada por Platão em um livro chamado A República. Ele acreditava que as desgraças humanas só iriam acabar quando os filósofos se tornassem reis ou os reis se tornassem filósofos. A ideia de Platão se tornou a inspiração para críticas à democracia e para a defesa de um tipo de governo aristocrático em que apenas aqueles com maior conhecimento deveriam governar.

Platão viveu em Atenas, na Grécia, no século IV a.C e, nesta cidade, as decisões eram tomadas em uma assembleia periódica na qual todos os cidadãos podiam participar. Novas propostas de leis e medidas eram discutidas e depois aprovadas através da votação de todos. Porém, o filósofo foi um crítico contundente dessa forma de governo. Pensava que o governo de uma cidade exigia conhecimento especializado e por isso nem todas as pessoas eram aptas a governar.

No livro A República, para ilustrar o problema da democracia, Platão pede que imaginemos o seguinte cenário em um navio:

“Os marinheiros estão em disputa sobre o governo do navio, convencido cada qual de que tem direito a assumir o leme, sem jamais ter aprendido a arte de timoneiro nem poder indicar quem foi seu mestre ou a ocasião em que estudou; muito ao contrário, asseveram que isso não é matéria de estudo e, o que mais é, estão dispostos a fazer em pedaços quem quer que os contradiga. Esses sujeitos rodeiam o comandante, instando com ele e empenhando-se para por todos os meios para que lhes entregue o timão; e sucede que, não logrando persuadi-lo e vendo que outros lhes são preferidos, dão morte a estes e os lançam pela borda, embotam os sentidos do honrado capitão com mandrágora, vinho ou qualquer coisa e se põem a mandar no navio apoderando-se de tudo que nele existe.1”

Esse cenário caótico, pensa Platão, é o que vemos nas democracias. Uma disputa entre pessoas que afirmam não ser necessário conhecimento para governar uma cidade e lutam para governá-la.

Platão leva adiante essa comparação entre uma cidade e um navio e pede para pensarmos nas seguintes questões: viajaríamos em um navio cujo capitão diz não ter os conhecimentos necessários para pilotá-lo? Deixaríamos uma pessoa que não tem conhecimento de medicina fazer uma cirurgia? E porque aceitamos que uma pessoa ignorante dos temas relevantes governe uma cidade ou um país?

Vamos fazer uma comparação entre um médico e um governo. O trabalho do médico, ao longo de um ano, afeta a vida de centenas de pessoas, talvez milhares. Já o governo de uma cidade grande ou de um país, no mesmo período, afeta de forma muito mais profunda a vida de milhões de pessoas. Se compararmos a complexidade e quantidade de decisões tomadas por cada um, os números do governo também serão superiores. Um governo toma milhares de decisões que afetam saúde, emprego, renda, educação, trabalho, enfim, todos os aspectos da vida de uma pessoa. Se o médico precisa de conhecimento sobre o ser humano, biológico, químico e psicológico, o governo precisa saber isso e muito mais. Dada a abrangência das decisões, envolve conhecimento de economia, história, geografia, filosofia, sociologia, medicina, biologia, química, física, relações internacionais e dezenas de outras áreas.

Portanto, pensa Platão, assim como exigimos que as pessoas que são nossos médicos, pilotos, enfermeiros, professores, tenham conhecimento sobre aquilo que se propõe fazer, devemos querer que o governo das nossas cidades também tenha conhecimento especializado nas mais diversas áreas relevantes para sua administração.

A ideia platônica de que os filósofos deveriam governar as sociedades não fez muito sucesso em seu tempo. No entanto, seus pressupostos estão presentes em diferentes críticas à democracia e regras eleitorais das modernas democracias representativas.

Referências

Mill, John Stuart. Considerações sobre o governo representativo. Brasília: Editora Universidade de Brrasília.

Platão. A República. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.

Notas
Platão, A república, p. 243.[↩]
Mill. Considerações sobre o governo representativo, p 31.[↩][↩]
Filosofia Política Democracia Formas de Governo Platão Stuart Mill.

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