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Desistir da vida pode levar à morte, entenda porquê.

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Foto- DG

Estudo da Universidade de Portsmouth no Reino Unido, publicado recentemente, descreve pela primeira vezez como podemos perder a vida, através dos marcadores clínicos que levam à morte psicogênica, como é chamada.

A pesquisa foi divulgada pela revista braileira Galileu que, citando John Leach, pesquisador Sénio daquela Universidade inglesa, apresenta uma comparação entre o acender um cigarro e desistir da vida.

Segundo o pesquisador, “se nas prisões o cigarro é tão valioso, nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra eram questão de vida ou morte. Eles podiam ser trocados por coisas importantes, como a comida, e acender um indicava que o fim estava próximo”.

Para o mesmo pesquisador, “Quando um prisioneiro pega um cigarro e acende, seus companheiros de acampamento sabem que a pessoa realmente desistiu, perdeu a fé em sua habilidade para continuar e logo estaria morto.”

O mesmo, afirma não trater-se de suicídio, nem estar ligado à depressão, “mas o acto de desistir da vida e morrer normalmente em poucos dias é uma condição muito real, muitas vezes ligada a traumas graves”. Sugere ainda que a desistência pode ser causada por uma mudança em um circuito frontal-subcortical do cérebro, mais precisamente o cingulado anterior, responsável pela motivação e por dar início a comportamentos direcionados por objetivos.

Leach, defende que “O trauma grave pode causar o mau funcionamento do circuito cingulado de algumas pessoas. A motivação é essencial para lidar com a vida e, se isso falhar, a apatia é quase inevitável”.

Segundo a pesquisa, o processo de desistência, não é definitiva e está dividido em cinco estágios, e com diferentes intervenções em cada um deles é possível revertê-lo. “Reverter o declínio em direção à morte tende a acontecer quando um sobrevivente encontra ou recupera um senso de escolha, de ter algum controle”, revelou. “Tende a ser acompanhado por essa pessoa lambendo suas feridas e renovando o interesse pela vida.”

Os cinco estágios da renúncia apresentados por John Leach são:

1. A Retirada social – acontece geralmente após um trauma psicológico
Nesta fase, as pessoas podem mostrar uma retirada acentuada, falta de emoção, indiferença e se tornam auto-absorvidas. Prisioneiros de guerra têm sido freqüentemente descritos neste estado inicial, tendo se retirado da vida, vegetando ou tornando-se passivos.Pode ser uma maneira de lidar, de se afastar de qualquer envolvimento emocional externo para permitir um realinhamento interno da estabilidade emocional, por exemplo, mas se não for controlada, pode progredir.

2. Apatia – Uma “morte” emocional ou simbólica

É uma melancolia desmoralizante, diferente da raiva, da tristeza ou da frustração. Também foi descrito como alguém que não está mais se esforçando para se preservar. As pessoas nesta fase são muitas vezes desgrenhadas, o instinto de limpeza desapareceu.

3. Aboulia – Uma grave falta de motivação associada a uma resposta emocional abafada, falta de iniciativa e incapacidade de tomar decisões.

É improvável que as pessoas nesta fase falem, frequentemente desistam de lavar ou comer e se afastem mais e mais profundamente em si mesmas. Nesse estágio, a pessoa perdeu a motivação intrínseca – a habilidade ou o desejo de começar a agir para se ajudar -, mas ela ainda pode ser motivada pelos outros, através de educação persuasiva, raciocínio, antagonismo e até mesmo agressão física.

Uma vez que os motivadores externos são removidos, a pessoa retorna à inércia. As pessoas que se recuperaram descrevem-na como tendo uma mente como mingau ou sem ter qualquer tipo de pensamento.

4. Acinesia psíquica – mais uma queda na motivação

A pessoa está consciente, mas em estado de profunda apatia e inconsciente ou até mesmo insensível a dores extremas. A falta de resposta à dor é descrita em um estudo de caso em que uma jovem, diagnosticada posteriormente com acinesia psíquica, sofreu queimaduras de segundo grau ao visitar a praia, porque não se afastou do calor do sol.

5. Morte psicogênica – Estágio final como a desintegração de uma pessoa

É quando alguém desiste. O progresso do estágio quatro até o cinco, a morte psicogênica, geralmente leva de três a quatro dias e pouco antes da morte, muitas vezes há um falso amanhecer – um lampejo de vida, por exemplo , quando alguém repentinamente goza de um cigarro.

Parece brevemente que o estágio de ‘mente vazia’ passou e foi substituído pelo que poderia ser descrito como comportamento direcionado por objetivos. Mas o paradoxo é que, enquanto um lampejo de comportamento dirigido por metas geralmente acontece, o objetivo em si parece ter se tornado um abandono da vida.

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