Estudo realizado por cientistas da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, fala sobre os danos que o calor poder causar ao esperma. A pesquisa foi publicada periódico Current Biology em outubro de 2020.

Segundo a revista Galileu, a pesquisa mostra como os cientistas criaram um modelo para identificar os mecanismos moleculares que produzem danos ao DNA presente no esperma quando este é exposto ao calor.

Conforme a pesquisa, a temperatura ideal para a produção de espermatozoides em humanos é entre 32ºC e 35ºC, um pouco abaixo da temperatura corporal. Estudos anteriores já mostraram que um aumento de apenas 1ºC já é o suficiente para gerar impactos negativos na fertilidade masculina.

Para descobrir por que isso acontece, os pesquisadores de Oregon utilizaram a Caenorhabditis elegans, um tipo de lombriga comumente usado como modelo biológico. Durante as observações, os cientistas perceberam que um aumento de 2ºC acima do padrão para o animal fez crescer em 25 vezes os danos ao DNA dos espermatozoides em desenvolvimento em comparação com os não expostos à variação de temperatura.

O estudo comprovou igualmente que, os óvulos fertilizados por esses espermatozoides danificados não produziram descendentes. Segundo Scott Hawley, especialista que não esteve envolvido na pesquisa, “O estudo fornece um roteiro para os cientistas realizarem pesquisas em mamíferos e humanos para confirmar se os mesmos mecanismos contribuem para a infertilidade masculina”, conforme divulgou a revista Galileu.

O artigo também ajuda a entender como a meiose, processo que produz as células sexuais, difere entre espermatozoides e óvulos. De acordo com os especialistas, nos indivíduos do sexo masculino, os espermatozoides são as menores células do corpo, se formam aos bilhões em temperaturas abaixo da corporal e são produzidos ao longo de toda a vida adulta.

Por outro lado, os óvulos são as maiores células do corpo de uma mulher, formados internamente, onde uma temperatura constante é mantida, e são produzidos apenas por um período limitado durante o desenvolvimento fetal. Nicole Kurhanewicz, líder do estudo, em comunicado, esclarece que,” A produção do esperma é muito sensível ao aumento da temperatura, enquanto a do óvulo não é afetada”.

Segundo a mesma, os dados apresentados no estudo sugerem que o desenvolvimento de gametas femininos e masculinos também se diferenciam por sua capacidade de controlar os elementos móveis do DNA (conhecidos como “genes saltadores” ou transposons), de se moverem no genoma e quão sensíveis são ao estresse térmico.

Os transposons são segmentos de DNA que se movem e alteram a informação genética, inserindo-se em novas posições, muitas vezes danificando o material genético. O movimento dos “genes saltadores” normalmente é reprimido no desenvolvimento de espermatozoides e óvulos. No entanto, o novo estudo descobriu que, com a exposição ao calor, esse cenário muda para os gametas masculinos.

Analisando espermatozoides e óvulos, os pesquisadores observaram que o aumento da temperatura causou mais danos ao DNA nos gametas masculinos que nos femininos. Sequenciando o genoma, eles também identificaram os locais dos transposons em todo o genoma, com e sem exposição ao calor. “Descobrimos que após o choque térmico, certos transposons são encontrados em locais novos e mais variáveis no genoma masculino”, observou Kurhanewicz.

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