Nos últimos três anos, muitos estudantes das unidades orgânicas da Universidade Kimpa Vita (UNIKIVI) têm abandonado aquelas instituições para darem seguimento da formação em outras instituições, sediadas na cidade do Uíge, sobretudo privadas.

Os estudantes alegam que as desistências são motivadas pelas constantes e incompreensíveis reprovações a que são sujeitos por parte de certos docentes, que fazem de algumas disciplinas “bicho-de-sete-cabeças”, enquanto são cadeiras que em outras instituições são de simples transição.


Filomena João, de 27 anos, era estudante do 3º ano do curso de Direito, na Faculdade de Direito da Universidade Kimpa Vita. Há quatro anos que não consegue transitar para o 4º ano, porque em 2017 foi reprovada na cadeira de Teoria Geral do Direito Civil (TGDC), disciplina que condiciona a participação em outras duas cadeiras no terceiro ano.

“Não é uma cadeira complicada. O complicado é o docente que faz dela um “bicho-de-sete-cabeças”, com o seu estilo estranho de avaliação. Há várias possibilidades para superar uma deficiência, como a prova de recuperação, recurso, exame especial e a repetição da cadeira no ano seguinte, mas infelizmente há quatro anos que todas as alternativas não têm surtido efeito, porque o professor decide sempre me reprovar, sem nenhuma justificativa”, lamentou.




Aborrecida com a situação, Filomena João decidiu abandonar a UNIKIVI e, este ano, está a dar continuidade dos estudos no Instituto Superior Kalandula, em Luanda. Para a jovem estudante, o tempo que foi “penalizada” na Faculdade de Direito no Uíge, seria “suficiente para concluir o mestrado”.

Lobato Pires, 38 anos, é outro estudante que ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Kimpa Vita em 2016. Também reclama das injustiças e má avaliação dos docentes das cadeiras de TGDC, no 2º ano, e Direito Administrativo, no 3º ano. Diz não compreender os métodos de avaliação que os docentes utilizam que levam à reprovação, todos os anos, cerca de 97 por cento dos estudantes nestas disciplinas.



O aspirante à jurista, decidiu abandonar a instituição para no próximo ano académico dar continuidade no Instituto Superior Politécnico Privado do Uíge (ISPPU). “Com esta situação, rotulam os estudantes desta universidade como incompetentes e com pouca capacidade de assimilação dos conteúdos, o que não é verdade.

O problema está nos docentes que, com propósitos inconfessos, reprovam mais de 90 por cento de turma com 130 estudantes. A reitoria tem de ver o que se passa, porque algo não está bem”, acentuou.


Vários cursos podem encerrar

Augusto Lunganga disse que em função do mau estado da via que liga as zonas habitadas às instalações da universidade, muitos estudantes do período nocturno estão a desistir, por dificuldades de locomoção, pois, os serviços de táxi quase que não funcionam à noite devido à falta de iluminação pública.

“Se esta situação continuar brevemente muitos cursos no período da noite poderão encerrar, pois, atendendo às normas e aos regulamentos dos cursos pós-laboral, e, de acordo com os estatutos da universidade, deve haver um número mínimo de estudantes para que um determinado curso funcione. Portanto, não havendo o número mínimo de estudantes, o curso é encerrado.



Este é o grande risco que estamos a enfrentar em consequência das desistências devido ao mau estado da via”, lamentou.

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