Todas as sociedades humanas, em sua época e contexto criaram e conceberam o que em seu entender se considerou como belo.

Parece-nos que até ao presente século ainda que de forma passiva o povo africano no mundo, em muitos aspectos, continua reproduzindo o padrão de vida ocidental. Muitas mulheres jamais se sentem belas, sem contudo estar alinhado ao modelo de beleza que incansavelmente se procura institucionalizar.

Apesar da tentativa constante para a institucionalização de um padrão universal de beleza, é preciso notar e compreender que isto é de difícil efectivação em sua plenitude uma vez que as pessoas de culturas diferentes têm definições desencontradas acerca do conceito de beleza. Neste sentido, ainda que estejamos a vivermos na tão propalada aldeia global, o comportamento das pessoas que parece tão individualizado e independente, é em síntese, resultado do processo endoculturativo em que cada um esteve submetido, em fim, efectivamente estamos agrilhoados as nossas tradições.

1.1. Conceitos e delineações

As discussões sobre a estética e beleza feminina é tão antiga quanto à história sobre o surgimento da espécie humana. O conceito de beleza tem sido transformado ao longo dos séculos. As sociedades em cada contexto sociocultural definem o que consideram padrão ideal de beleza.

Na antiga Grécia o padrão de beleza era definido por medidas proporcionais, que a mulher deve adquirir, na Idade Media o conceito de beleza estava intrinsecamente ligado ao divino, ao plano espiritual e às virtudes morais, por estas razões os trajes deveriam cobrir o corpo, tal como vemos as “Bessa Ngana” em Luanda.

Logo a seguir retomou-se os padrões de beleza da Antiguidade Clássica. Voltando a valorizar o corpo feminino, o modelo de beleza do Renascimento propunha mulheres mais cheias fisicamente, de ancas largas e seios generosos – o que se manteria até o final do século XVIII. Apesar dos vestidos volumosos, a cintura deveria ser marcada pelo uso do espartilho e era permitido que o decote mostrasse um pouco dos ombros.

Porém, nos anos 20 o conceito de belo exalta o padrão do corpo feminino cilíndrico: cintura, seios e quadris deveriam ter medidas parecidas. Para isso, as mulheres disfarçavam as curvas usando vestidos retos e até mesmo enrolavam faixas sobre os seios para achatá-los (Semis, 2014).

No fim dos anos 80 e durante o início dos 90 com o auge do cinema surgem as supermodelos que ditaram os padrões de beleza. Altas, magras, com curvas na medida certa e um visual saudável. Diferente de hoje, que as mulheres procuram desenfreadamente por cirurgia estética e silicone em busca do padrão de beleza ideal.

1.2. A beleza feminina na cosmovisão Bantu

É preciso notar que a beleza é um estado físico e emocional inalcançável, porém que as pessoas em diferentes épocas e períodos pretendem alcançar, muitas vezes sem medir os meios.

O belo remete-nos sempre a aquilo que tem uma forma perfeita e proporções agradável. Uma vez que pessoas de cultura diferente têm visões desencontrada sobre as coisas, a questão que se coloca é, esta percepção sobre o que é perfeito e agradável deve ser na visão de quem? Deve ser analisado pelo que somos ou pelo que devemos ser em função do que vemos no outro? Para responder, houve momento em que a beleza no feminino era concebida em função do que eramos e não em função do que se pretendia ser, isto à imagem de padrão de beleza do outro.

Do ponto de vista da filosofia autóctone, puramente africana a beleza em geral e em especial a feminina está longe do enquadramento puramente estético do “padrão de beleza ocidental” fortemente ligada a estratopedia, mormente a silhueta, as curvas ou quadris da mulher, dando aquele ar se sensualidade a que estamos habituado a assistir em novelas e filmes da Hollywood. Ela transcende a busca pelo corpo físico padrão, magra e atlética. Temos plena convicção científica que ser bela na cosmovisão africana pressupõe em última instância ser muito bem-educada o que lhe garante ser galanteada, alembada, constituir família e garantir a continuidade geracional humana uma vez que um dia todos nós vamos partir para o além. Portanto, entende-se que de nada vale a busca dos “padrões de beleza ocidental” se não for capaz de garantir a continuidade da espécie humana.

A participação feminina na vida lhe exige a fecundidade. O Bantu nada deseja mais do que viver sem fim. Porém, como a morte é uma certeza inequívoca, isto só é possível pela sua descendência, ora a beleza feminina é revivida na continuidade dos filhos (Altuna, 2006). Não é por acaso que por mais bela que seja a mulher se até certa idade não ser alembada e sair da casa dos pais para constituir a sua própria família, pode constituir preocupação para os pais.

É preciso perceber que em síntese a busca do padrão de beleza é incessante o que nos remete a ideia segunda a qual o sentido de ter alcançado efectivamente a performance ideal de beleza não a torna mais mulher do que outras. Afinal são apenas ponto de vista desencontrado sobre o conceito e definição do belo que varia em função do contexto sociocultural em que foi forjado a pessoa, enquanto ser cultural produto produtor de cultura (Camuanha, 2019).

1.3. Considerações finais

Percebemos talvez, que em muitas situações há uma certa falta de ideologia pan-africanista em mulheres que não se orgulham de sua identidade de beleza as quais procuram incessantemente por corpos atlético com cintura magra, ora, por nádegas “Bunbu” e peitos avantajados colocando silicones. Em muitas vezes correndo risco de vida por passarem por procedimentos estéticos pouco recomendável que podem até mudar a pigmentação natural.

Felizmente até ao olho do ocidente, ainda que muitas vezes não o admitirem, as mulheres puramente africanas são agraciadas com fenomenal beleza as quais nada têm a temer ao resto do mundo. Nos arriscamos mesmo em dizer que o seu corpo cheio pode ser o ponto de referência da procura incessante ao designado bumbu dourado pela aplicação de silicones e outros procedimentos estéticos pelas mulheres brancas, sem contudo desprimor as mulheres asiáticas.

Claro que como vivemos em um mundo globalizado é normal que os povos adopte modos vivendis de outros povos com quem mantém contacto e vice-versa, todavia deve ser cometido para não chegar-se ao ponto de perdermos a nossa própria identidade.

A beleza feminina sempre foi preocupação crescente em todas as sociedades humanas, as mulheres africanas em todas as épocas fizeram questão de utilizar procedimentos estético para realçar a pele, o cabelo usando produtos e processos que nunca puseram em causa as suas próprias vidas uma vez que a principal beleza sempre esteve com elas ao nascer e maturada com a educação quere era recebida dos pais ao longo da vida.

1.4. Referências

Altuna. R. (2006). Cultura tradicional Bantu. Luanda: Paulinas.

Camuanha. G. (2019). Iniciação à Antropologia: O saber que não sabia. Luanda: Monográfica.

Semis. L. (2014). Como o conceito de beleza se transformou ao longo dos séculos? Recuperado de https://novaescola.org.br/autor/24/lais-semis 19 de Março de 2021.

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