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GESTÃO DAS ÁGUAS DAS CHUVAS NA CIDADE DE LUANDA – DRENAGEM URBANA

Prof. CELESTINO AIRES JOSÉ LANZI Celestino.lanzi@isptec.co.ao

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Observamos a 16 de março de 2021, mais uma vez, a cidade de Luanda desprotegida por falta das principais formas de mitigação dos efeitos das águas das chuvas que caíram em poucas horas com grandes quantidades, com uma consideração de Normal para abaixo do Normal conforme o INAMET, na sua publicação da Previsão Sazonal para época chuvosa “2021”.

Consequências das chuvas em Luanda
Consequências das chuvas em Luanda

Temos que ter em atenção que, dado o crescimento exponencial populacional e concomitante construção desordenada, registada na cidade de Luanda, tem gerado aumento da impermeabilização dos solos que, por sua vez, interfere directamente no escoamento, modificando a drenagem natural das águas pluviais e dos leitos dos rios existentes, o que se constata ciclicamente nas épocas chuvosas (Agosto – Abril) nas áreas mais baixas da cidade e centros habitacionais, causando inundações e enchentes.

Dado o seu elevado impacto nos aspectos económicos, sociais e ambientais, em muitos países já se criaram projectos de lei que exigem todas as construtoras a cumprirem rigorosamente com o normalizado.

Diante desse contexto da crescente má qualidade de drenagem existente que temos observado in loco dia após tomamos a liberdade de apresentar uma análise crítica, sustentada em documentos de boas práticas de planeamento urbano e execução de obras hidráulicas por forma a mitigar as causas e consequências desta problemática.


Assim sendo, importa, antes de tudo, salientar que o mau funcionamento dos sistemas de drenagem na província de Luanda têm como causas as seguintes:

• Falta de investimento e planeamento;

• Falta de urbanização;

• Consciência dos usuários;

• Anomalias nos projectos;

• Defeitos nas execuções e construções das obras de drenagem;

• Falha de manutenção e uso das mesmas obras.

Pelo que impera uma urgente intervenção e modificação dos sistemas de drenagens na província de Luanda, visto a situação existente estar a acarretar consequências nefastas aos citadinos, nomeadamente:

saúde pública afectada com elevada taxa de mortalidade, especialmente infantil, provocadas por doença de origem hídrica (malária, diarreia, tifóide), devido ao consumo das águas impróprias e contaminação dos rios, desabamento de casas e edifícios, surgimento de ravinas, obstrução de lixo nas principais linhas de drenagem, transtorno psico-social, um baixo padrão (qualidade) de vida e até de perdas humanas como têm relatado os serviços de protecção civil com números assustadores.


Neste sentido, fica evidente a importância de se ter um Plano Director para a Drenagem Urbana para que haja um acompanhamento da situação na qual se encontram os diferentes distritos onde mais sofrem com a falta de dispositivos de drenagem para escoamento das Águas Pluviais.

Obtêm-se mais vantagens quando o controlo das águas das chuvas é acompanhado pelos dados do INAMET sobre as quedas pluviometricas; isto diminui, em grande medida, as consequências, pois, permite transferir atempadamente, as populaçães que vivem nas zonas de risco para assentamento em locais seguros.

Outro elemento que se deve inserir nos programas adhoc é a implementação da drenagem sustentável, que vem se mostrando cada vez mais eficiente e preventivo em muitas latitudes do mundo e cidades Africanas vizinhas, através da aplicação de pisos permeáveis, construção de áreas de infiltração e reflorestamento de encostas. Essas medidas sustentáveis, além de representarem um ganho no controlo das cheias, são uma opção excelente para o paisagismo, criando um ambiente muito mais agradável.



Portanto, vale aqui reafirmar que qualquer que seja a tipologia da obra hidráulica com o objectivo de mitigar o aumento de escoamento das águas pluviais em regiões com registo de alagamento, pode hoje em dia ser realizada em grandes cidades, com o mínimo de impacto ambiental, desde que os estudos preliminares sejam executados com o máximo de rigor, o que já se recomenda para a capital Angolana.

Um bem haja para a sociedade Luandense e juntos caminhamos para as soluções possíveis deste velho problema da gestão das águas da chuva.


Celestino Lanzi, Professor no curso de Engenharia Civil do Departamento de Engenharias e Tecnologias (DET) nas disciplinas de Instalações Hidráulicas, Hidrologia e Desenho de construção Civil, actualmente coordenador do Projecto de Túneis de Drenagem de águas Pluviais no DET.

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