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SOBRE O AMOR E O PODER

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Por: Tirso Blanco- Bispo da Diocese de Lwena.

Dizem que alguns dos grandes genocidas da história eram pais carinhosos, afáveis no contacto com os seus familiares. Para eles a esfera do amor estava totalmente desligada do poder que exerciam com crueldade inaudita.

O poder, a força, para serem verdadeiramente humanos, devem estar ao serviço do amor. Se tenho força é para proteger, para amparar; se tenho poder é para promover o desenvolvimento de cada pessoa e da sociedade em geral.

Sinto repulsa para qualquer violência física: a mãe que bate no filho para descarregar a sua raiva, o marido que bate na mulher, muitas vezes sem saber porque. Nunca usei uma arma de fogo; não fui obrigado a prestar o serviço militar (Classe 57, Argentina), mas se tivesse sido convocado, teria sido objector de consciência. São opções pessoais.

As armas requerem uma responsabilidade maior, porque podem ferir gravemente ou provocar a morte; e a morte é um limite intransponível. Posso pedir perdão a quem ofendi, mas não posso pedir perdão ao um cadáver. Poderei falar com o pai, a mãe, mas não será ele/a.

A facilidade com que se tira a vida, que apaga num instante toda a história que uma pessoa carrega, seus sonhos, seus afectos, seus projectos, não é um facto banal, não é susceptível de banalização.

O poder existe, sim, e é legítimo, quando está ao serviço do amor, a serviço do pequeno, do frágil, do vulnerável.

O exercício da violência excessiva que leva a morte, mexe com sentimentos muito profundos, que nem todos conseguem controlar.
Perguntem-se: porquê estão matando? Quem atira, é um cidadão do mesmo povo, passa pelos mesmos sofrimentos e carências.

É necessário somar uma tragédia às aflições quotidianas, que são tantas? Temos que resolver os nossos problemas de uma outra forma.
Por favor, parem de matar!

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