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China criou 521 estudos fictícios até Fevereiro de 2020

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A denúncia foi feita pela revista francesa L’Express  que no início desta semana, publicou uma longa reportagem, sobre as empresas que vendem artigos científicos falsificados. A maior fábrica desse tipo de negócio está localizada na China, segundo a microbiologista holandesa Elisabeth Bik e seus colegas franceses que trabalham na área de ética e integridade científica em entrevista aquela revista francesa.

Segundo a denúncia feita pela bióloga holandesa em seu blogue “Science Integrity Digest“, a fábrica chinesa de “papers”  tinha criado até fevereiro de 2020 pelo menos 521 estudos fictícios. A descoberta aconteceu pelo uso repetitivo de imagens de laboratório quase idênticas ilustrando diferentes artigos.

A maior parte de clientes são segundo aquela publicação, ” cientistas carentes de publicações, requeridas para uma promoção na carreira acadêmica ou no setor privado. O documento, quando é apresentado ao interessado, costuma estar redigido e prestes a ser aceito por uma revista científica.”

A falta de tempo para fazer uma pesquisa é apontada como uma das principais razões para a compra de artigos prontos, pois, segundo a L’Express ,” Na China, como os médicos são obrigados a publicar um artigo científico em uma revista internacional para obter seu diploma, e não têm tempo hábil para fazer uma pesquisa em paralelo à faculdade, eles costumam comprar esses artigos prontos. A maior parte dos “autores” são pessoas ligadas às escolas de medicina ou a hospitais chineses”.

A maioria dos 521 artigos chineses fictícios foram publicados em seis revistas de editoras respeitáveis, incluindo uma das maiores da área, a Elsevier.

Como explicar que revistas dotadas de comissões de revisão, compostas por cientistas independentes, não tenham verificado os resultados dos estudos enviados?

Ghislaine Filliatreau, diretora de pesquisa e delegada para integridade científica do Inserm (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica), suspeita que a verificação de dados e imagens provavelmente não foi respeitada. “Por falta de tempo, falta de meios ou por pouco conhecimento da área”, resume. Ela adverte que esse tipo de falsificação grosseira cria um problema real para ciência, porque pesquisadores independentes podem querer consultar esses estudos – em acesso pago – para o seu trabalho e “perder um tempo precioso tentando reproduzir resultados falsos”.

Recentemente, para demonstrar a falta de rigor científico nas verificações, pesquisadores publicaram um estudo falso sobre cloroquina e patinetes para denunciar uma revista científica asiática.

A generalização da ciência aberta, que consiste em disponibilizar gratuitamente todos os estudos e seus dados na internet de forma a garantir a maior transparência, pode ser uma solução interessante para combater as fraudes. “Isso tornaria necessário realizar operações de controle e melhorar a qualidade das informações, já que seriam pesquisáveis ​​e verificáveis ​​por todos”, indica Ghislaine Filliatreau à reportagem da L’Express.

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