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Sindicato dos professores diz não ao retorno das aulas no dia 5 de Outubro

Se o Executivo conseguir operar um milagre nos cinco dias que restam para o retorno às aulas, o que não acreditamos, não teremos dificuldades em subscrever esta pretensão do Executivo, que na verdade é também a nossa pretensão. Doutro modo, não seremos partícipes de acções improvisadas e de desrespeito à vida e à dignidade dos vários intervenientes do contexto escolar.

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O Sindicato Nacional de Professores (SINPROF), desaconselha o retorno às aulas na próxima segunda feira, 05 de Outubro. Na coferência de imprensa realizada nesta manhã na Província do Kwanza Sul,o presidente do sindicato, apresentou o posicionamento em nome da classe que representa.

Guilherme Silva afirmou que, depois de mais de seis meses desde a interrupção das aulas, devido a Covid-19, o Executivo não foi capaz de criar as condições necessárias na maioria das escolas do país, adaptando-as ao contexto que se vive, para que o retorno às aulas seja feito de forma sustentada e em segurança.

O sindicalista, apresentou os dados das escolas que o seu sindicato visitou para comprovar as condições que o executivo diz ter criado.

Segundo o mesmo, das ” 299 escolas do II ciclo do ensino secundário visitadas, só 22,4% conseguiram criar as condições mínimas para o retorno às aulas, por serem escolas financiadas pelo Estado; 50,1% encontram-se num estado razoável, enquanto que os restantes 27,5% das escolas do II ciclo do ensino secundário visitadas não foram capazes de criar as condições mínimas necessárias ao retorno às aulas, por não serem orçamentadas e por não terem recebido nenhum valor para o efeito”.

Quanto as escolas do I ciclo do Ensino Secundário, visitaram 345 escolas, das quais apenas “4,9% possui condições para o retorno às aulas; 31,5% possui condições razoáveis, enquanto que 63,5% não criaram quaisquer condições, pois não se lhes atribuiu nenhuma verba para o efeito”.

O Ensino Primário tem os dados mais críticos, pois segundo o SINPROF, “Das 602 escolas do ensino primário visitadas, apenas 3% deste número criou condições para o retorno às aulas; 21% possui condições razoáveis e 76% das escolas primárias visitadas não dispõe de quaisquer condições que permitam o retorno às aulas no contexto actual. Algumas delas parecem votadas ao abandono”.

Outra questão que preocupa aquela organização sindical, é o facto de quase totalidade das escolas visitadas, não possuir pessoal preparado para proceder a higienização e a desinfecção das salas de aulas, antes, nos intervalos entre os dois períodos lectivos definidos em cada turno e depois das aulas.

Quanto ao material de biossegurança (água, álcool/álcool em gel, detergentes), segundo o SINPROF, a maioria das escolas visitadas não possui materiais e, as poucas que possuem, não têm na quantidade que permita a sua sustentabilidade para mais de uma semana.

Quanto à água, o SINPROF diz que, “algumas escolas possuem baldes adaptáveis para a higienização das mãos. Porém, para a maioria das escolas não existe um plano e nem garantias para a sua distribuição regular, dado que não possuem água corrente, o que faz com que as casas de banho estejam inoperantes, juntando-se a esse fator, a falta de pessoal de limpeza”.

Nenhuma escola visitada dispõem de protocolo, cartazes indicativos, sinalética ou guiões a serem seguidos pelos alunos, nem uma zona específica da escola reservada para o recomendado isolamento de casos suspeitos, muito menos uma estratégia de gestão de casos que se venham a manifestar no contexto escolar;

Outro fator que faz com que o SINPROF desaconselhe o reinicio das aulas em Outubro, é a ausência de testagem em larga escala dos mais de 216.000 agentes da Educação, faltando apenas cinco dias para o anunciado recomeço, a inexistência de uma estratégia de testagem periódica dos agentes da educação.

Segundo o SINPROF, ” os Administradores Municipais e os Gestores escolares contactados admitem não saberem onde tirar o dinheiro para a criação de condições mínimas nas escolas por si tuteladas. Apenas as Autoridades Municipais do Libolo, no Cuanza Sul, e Quela, em Malanje, afirmaram que vão remanejar os fundos alocados para o combate a pobreza e a merenda escolar, para a criação de condições nas escolas”.

O sindicato dos professores diz estar ciente que a pandemia não acaba hoje e que, é necessário ensaiar formas de adaptação e convivência com a Covid-19 nas escolas. Porém, não é favorável ao retorno às aulas nas condições em que se encontra, a maioria das escolas do país, por entender que a escola enquanto espaço de convivência deve ser adaptado ao contexto vigente, para melhor cumprir com a sua função social. Não se está a exigir o ideal, porque mesmo em circunstâncias normais o razoável nunca existiu nas nossas escolas; estamos a falar do mínimo aceitável em tempos de pandemia.

O sindicato apela ao Executivo a preparar-se melhor, engajando mais recursos à Educação, para que sejam alocados diretamente às escolas por forma a criarem efetivamente as condições mínimas, ainda inexistentes na maioria delas, se quiser garantir um recomeço seguro e com sustentabilidade e não fazer um recomeço assimétrico em termos de condições, porque o valor da vida é igual pra todos e em todos os lugares.

O sindicato não acredita num milagre nos dias que restam para o reinicio das aulas e diz que “Se o Executivo conseguir operar um milagre nos cinco dias que restam para o retorno às aulas, o que não acreditamos, não teremos dificuldades em subscrever esta pretensão do Executivo, que na verdade é também a nossa pretensão. Doutro modo, não seremos partícipes de acções improvisadas e de desrespeito à vida e à dignidade dos vários intervenientes do contexto escolar”.

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