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    A IGREJA COMO MERCADO, DEUS COMO MERCADORIA: Uma reflexão em torno da proliferação de igrejas em Angola.

    Por: Bendito Guilherme Muhusso

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    A proliferação do MERCADO RELIGIOSO em Angola é um fenómeno que deve merecer uma atenção especial de todos. Temos vindo a assistir certas igrejas e seitas religiosas cujas acções são puras manobras de esconder ACTIVIDADE ECONÓMICA no CRISTO.
    As constantes crises verificadas nas igrejas em Angola, provocadas pela ganância, mostram-nos, de uma forma clara, que certas igrejas são um verdadeiro MERCADO usando CRISTO como Mercadoria. Vendem a FÉ com promessas de prosperidade quando na verdade deviam pregar a palavra de Deus para moralizar pessoas e fortificar seus espíritos.
    Com a incessante busca pelo enriquecimento em bens materiais, certos líderes de igrejas hoje lucram em nome de CRISTO. Em nome de CRISTO também matam psicologicamente o próprio fiel mediante a distorção da PALAVRA do Evangelho.
    A comercialização da FÉ em Angola, a preços inflacionados, tem vindo a ser praticada sob o olhar inerte do próprio Governo. Aliás, falando do Governo, vamos abrir um parêntese para, em parte, imputarmos a culpa a ele (Governo). A proliferação do MERCADO RELIGIOSO vefiricou-se de forma galopante no Governo anterior. Ao que se sabe, a promoção da massificação de igrejas pelo Governo angolano, era uma forma de se desviar a atenção dos jovens dos reais problemas que os afligem: o desemprego, a falta do ensino de qualidade, a saúde, a habitação, etc..
    Vamos explicar doutra forma:
    1. Como o Governo era incapaz de garantir Luz, Água, Emprego, Saúde e Habitação aos cidadãos, promover a proliferação de igrejas era uma estratégia de empurrar os cidadãos às igrejas para que lá fossem cobrar a Deus tais condições básicas. Essa estratégia teve sucesso, pois surgiram em Angola várias denominações religiosas e pessoas enchiam e até agora enche os templos, não para buscar a Deus e fortificar o espírito e purificar a alma, mas sim para cobrar a Deus a falta de emprego, da luz, da saúde, de estradas, da habitação, etc., quando na verdade deviam cobrar ao Governo políticas sérias de fomento ao empreendorismo, de promoção de Emprego e de garante das condições básicas;
    2. Como na altura o Governo pretendia domar o povo para fortalecer a ditadura e saquear os cofres do Estado, promover a proliferação de igrejas era, igualmente, um dos caminhos. Pois, com cidadãos cristãos, o Governo teria um povo obediente, passivo e com uma intervenção bastante reduzida na vida política. Com mais cidadãos cristãos, todos os problemas sociais e económicos provocados pelos MARIMBONDOS seriam vistos como da vontade de Deus.
    Por falta de políticas públicas viáveis de fomento empresarial e promoção do emprego, capazes de gerar rendas dignas para as famílias com vista a satisfação das necessidades básicas, as pessoas acorrem às igrejas como segunda opção na busca da prosperidade. As pessoas deixaram de confiar nas promessas eleitorais e nas políticas do Governo e passaram a confiar mais nas promessas dos pastores, um comportamento compreensível pois no desespero, na pobreza extrema, na falta de uma educação capaz de tirar o indivíduo da ignorância, na falta de um sistema de saúde capaz de curar uma simples dor de cabeça, qualquer igreja que prometa curar as enfermidades ou garantir prosperidade, serve.
    Mesmo o cidadão refugiando-se para a igreja, o político insiste em seguir o cidadão na igreja para humilhá-lo com suas campanhas eleitorais, usando pastores. E os pastores, verdadeiros coniventes, ou “parceiros directos” como gostam se chamar, usam um simples “AMÉM IRMÃOS”, que todos se rendem inquestionavelmente às promessas dos políticos, acreditando que foi a vontade de Deus de o político ter ido a igreja.
    Portanto, o MERCADO RELIGIOSO tornou-se competitivo e com margens de lucros bastantes atrativas. Não é a toa que Angola tem uma das igrejas mais grande e luxuosa de África.
    Fizeram das igrejas um verdadeiro mercado. Fizeram de Deus uma verdadeira mercadoria.

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