No final do terceiro mês deste ano, março, Angola parou. O povo passou a enfrentar uma nova realidade com a chegada do Covid-19, “O inimigo invisível”. O Coronavírus tornava-se cada vez mais sonante. Parte da população pensava que era uma doença que existia apenas na diáspora e havia até pessoas que pensavam que a contaminação tinha a ver com a raça ou o clima. Várias questões e ideias eram levantadas.

A internet virou ‘palco’ de informações, os internautas já não sabiam ao certo quem especulava ou quem dava as reais informações sobre o vírus que aos poucos se espalhava pelo mundo.

O excesso de informação era evidente. Angolanos e estrangeiros que vinham do exterior eram submetidos a uma quarentena institucional, com o objectivo de serem testados antes de manterem um contacto directo com as suas famílias. Foi algo inédito, uma realidade estranha para todos os viajantes que foram imediatamente levados distante da cidade. Alguns viajantes protestavam a maneira como se alimentavam e as condições que foram submetidos. O Governo apelava sempre à calma. Os viajantes foram levados para alguns alguns hotéis da cidade, para passarem a quarentena institucional. Visto que o facto era inédito para todos, alguns viajantes optaram por não cumprir a quarentena institucional e houve quem pagou no aeroporto para estar em liberdade. Um facto que assustou a população, porque, a doença não tem rosto. Ninguém sabe ao certo quem está contaminado. Ninguém pode abraçar, beijar, dar aperto de mãos, o ‘inimigo invisível’ começou a tomar conta do mundo! Luanda, a capital de Angola tornava-se cada vez mais calma e foi decretado um estado de emergência. As fronteiras fecharam e os vôos provinciais também foram cancelados. As aulas nas instituições públicas e privadas foram canceladas, sem datas previstas para retomarem, as empresas tiveram que seleccionar os funcionários para trabalhar e algumas despediram. Os bares fecharam, padarias, cantinas, locais de lazer, eventos cancelados e ninguém podia realizar festas. Os transportes públicos passaram a ter uma redução de passageiros, cumprindo com as medidas de prevenção, afectando a vida dos motoristas e cobradores, porque parte das pessoas ficavam com medo de sair de casa.

Aos finais de semana, os jovens angolanos aproveitam para descontrair, estar com amigos, dançar, mas não podiam porque tudo estava cancelado.

Entre vender e contrair o coronavírus, os comerciantes angolanos preferiam contrair o vírus e vender para levarem o sustento aos seus filhos. Algumas crianças pediam aos pais para ficarem em casa e era levantada a questão, “Filho(a), se eu não vender, o que é que vamos comer?”. Um clima melancólico entre as famílias da classe baixa que dependem das vendas ou de pequenos trabalhos para ter o “pão” de cada dia à mesa. Os mercados informais registavam uma enchente jamais vista, porque a população tinha o stock alimentar em decadência e a necessidade de comer era maior.

Ainda na fase do estado de emergência, as pessoas tinham sair de casa com motivos específicos e com as máscaras, porque a polícia estava a trabalhar arduamente e volta e meia a pergunta era “Para onde vais?”.

Quase ninguém podia sair de casa. Para quem vive num edifício, o cenário era “Portas fechadas e janelas abertas”. Tal como referimos acima, o stock acabava rápido em casa, o Governo e algumas associações davam cestas básicas às famílias mais carenciadas, facto que gerou também um certo descontentamento para outras famílias, porque nem todas eram beneficiadas. Os moradores das periferias suplicavam por mais cestas básicas.

Com o cancelamento das aulas nas instituições públicas e privadas, o Governo adoptou um sistema de ensino, via TV e Rádio. O canal 2 da Televisão Pública de Angola e o canal da A da Rádio Nacional de Angola passaram a emitir aulas para as crianças e por sinal, há adultos que também aproveitam.

Após o estado de emergência, foi decretado o estado de calamidade, um estado que permitiu o regresso das pessoas aos seus postos de trabalho, mas cumprindo sempre com as medidas de prevenção, mantendo algumas restrições na via pública, bares e instituições.

A fase de confinamento gerou tédio, um ambiente melancólico para os cidadãos, mas por outro lado, há quem diga que foi vantajoso, porque na fase de confinamento muitas famílias ficaram mais unidas e a boa relação entre pais e filhos era evidente pese embora, em outras famílias a violência doméstica fez “morada”. A prostituição diminuiu, os acidentes nas vias reduziram, a corrupção reduziu, “a famosa gasosa nas estradas” reduziram, os assaltos e violações. Os jovens passaram a ter mais interesse aos noticiários informativos, porque queriam estar a par das informações relacionadas à Covid-19, coisa que não se via antes.

Alguns cidadãos aproveitaram para descobrir os seus talentos, empreender e muitos comerciantes que não davam importância às redes sociais, hoje têm a internet como o seu espaço de venda e maior fonte de rendimento. Fazedores de cultura, como músicos, artistas plásticos, actores, bailarinos e escritores também aderiram às lives para dar visibilidade aos seus trabalhos, visto que as actividades culturais formam canceladas.
Para manter as famílias mais animadas sem sair de casa, a TPA1 ( Televisão Pública de Angola) e a TV Zimbo passaram a apresentar espetáculos musicais ao vivo todos os domingos e as famílias descontraem da melhor forma.

Com a chegada da nova estação, Cacimbo, os casos do Coronavírus no país começaram a aumentar gradualmente. Passámos a chapa 100, e destes já somamos mais de 500 casos.

O povo passou a viver “um novo normal”. As máscaras agora fazem parte da indumentária de todos os angolanos e segundo o novo decreto, quem estiver sem elas, será visto como um infrator e pagará uma multa.

Bem antes da fase da pandemia, situações como a falta de emprego, escolaridade e oportunidades já eram notórias no país, pois, parte da população angolana é da classe média, baixa.

Após a pandemia, cidadãos prosperam por um regresso à normalidade em todos os segmentos e sentidos. Há ainda cidadãos que auguram uma atenção maior por parte dos governantes no sector do saneamento básico. Segundo alguns cidadãos, a situação está precária e não podemos nos basear apenas no Covid- 19, sabendo que há ainda muitas doenças que não foram erradicadas no nosso país, como a malária que continua a fazer vítimas mortais, uma vez que é considerada a primeira maior causa de mortes em Angola. Outros cidadãos desejam mais união entre as pessoas, um país sem corrupção, controlo emocional, mais amor e respeito independentemente das crenças religiosas ou partidárias. Em suma, os jovens prosperam mais seriedade, progresso no país e que saibamos valorizar cada minuto e cada segundo vivido.

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