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O novo Kwanza e a Reconciliação Nacional

Por: Filipe A. Vidal

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A Reconciliação Nacional se faz também com a História e é importante que os angolanos a todos os níveis assumam os passivos da nossa própria História.

A Nacionalidade “Angolana” é anterior a 11 de Novembro de 1975. A luta contra a dominação portuguesa (euro-asiática e euro-americana) não iniciou no dia 04 de Fevereiro de 1961. Existe sim um nacionalismo moderno angolano que nós por convenção decidimos que fosse nesta data o seu início. Mas existe um proto nacionalismo e um pré nacionalismo africano-angolano cujo resultado desembocou e desaguou na Luta de Libertação Nacional que o MPLA não fez sozinho.
Houve outros tais que a FNLA e a UNITA.

E dentro do próprio MPLA existem figuras tais que VIRIATO DA CRUZ, MATIAS MIGUEIS, o mais velho AZEVEDO entre outros que são muito anteriores a AGOSTINHO NETO na história deste Movimento de Libertação fundado em Maio de 1960.

Se não fosse a Luta Proto Nacionalista e Pré Nacionalista Angolana, a FNLA, o MPLA e a UNITA não existiriam.
Importa dizer aqui que nenhum destes três País do Nacionalismo Contemporâneo Angolano (Roberto, Neto, Savimbi) fora um Santo na sua acção, cada um deles tem um passivo grande . Todos tiveram virtudes e defeitos, mas o mais agravante é que todos foram vítimas de um processo que não foi criado por eles. Mas sua coragem e determinação em lutar contra o “inlutavel” deu-nos as luzes para a auto determinação.

Todos nós sabemos as batotas que existiram entre os três e quem foi o mais batoteiro com a ajuda do Almirante Rosa Coutinho para se chegar a proclamação da Independência da Republicq na antiga praça “1º de Maio” na meia noite do décimo primeiro dia do décimo primeiro mês do ano mil novecentos e setenta e cinco.

Nada tenho contra o Presidente Agostinho Neto, muito pelo contrário sempre nutri e continuarei nutrindo uma grande amizade por ele (muitas vezes ele me visita e conversamos muito), mas é preciso reflectir que Manguxi não fez e nem construiu a nacionalidade angolana sozinho (Porquê que Agostinho Neto quis e lutou muito por uma frente comum na Luta contra o colono? Vocês já ouviram falar do FDLA?

Existiram outros actores que deviam ser reconhecidos no aeropago do Nacionalismo Total angolano.

Os angolanos (autóctones e/ou descendentes das Illhas ou lusodescendentes) que decidem na politica, economia, segurança e outros sectores da vida angolana e dos angolanos devem ter a Luz e a Mente Clara para aproveitarem as soberanas oportunidades da nossa vida política e administrativa para efectivar uma verdadeira reconciliação entre os angolanos e com a nossa história e fazer uma assunção definitiva connosco mesmo.

Mas penso que o orgulho de uns e falta de sentido de pertença de outros (é natural, uns “regressaram” das Ilhas, mas transcendem pela positiva por favor, pois é urgente para nossa sobrevivência e vivência comum), faz com que não consigam ver com claridade.

Vejamos que são notas de 10000, 5000, 2000, 1000, 500, 200, 100, 50 Kz (e porquê não também de 20, 10 e 5 Kwanzas?);
Haveria espaço para Holdem Roberto, Agostinho Neto, Jonas Savimbi e depois porquê não Ekuikui, Kimpa Vita, Mandume, Nzinga Mbandi?

Será que Agostinho Neto construiu Angola sozinho para constar a sua efígie em todas notas? Que democratização da História queremos?

Mesmo até o Presidente José Eduardo dos Santos foi o único pecador no MPLA?
Será que a sua cara não merecia figurar na numa nota de 10Kz ou 5Kz?

Concordo que a efígie do Presidente dos Santos seja retirada da moeda corrente e isso era logicamente esperado face a Grande Campanha contra a corrupção, os corruptores e os corruptos (mas como em pouco tempo um Semi-Deus torna-se no mais reles mortal? Os angolanos que governam batem mesmo bem da cabeça?)

Queiramos quer não, o JES ficará indelével na nossa história enquanto Nação e seus bons feitos (será que só fez mal?) serão tidos em conta. Pelo menos numa nota de 20 Kz devia lá constar a sua efígie. É minha opinião (e sou livre de tela segundo a CRA no seu artigo 40º).

Exaltemos o Presidente Agostinho Neto, ele é merecedor. Nas exaltemos também Viriato da Cruz (Sem ele o MPLA não teria um manifesto ou seja as pernas para andar), exaltemos Eduardo Tchingunji, o Velho Nekaka, exaltemos Kimpa Vita, Mandume, Ekuikui, Numa, Vita Kanga, etc.

Com estás efígies diversas até o nosso dinheiro ficaria mais bonito e faríamos uma grande lição de reconciliação nacional e com a nossa própria história.
É normal que países como os EUA apenas figurem na sua moeda apenas efígies dos seus presidentes, pois aquele é um Estado Colônial, toda a glória euro- americana teve o seu início depois da Independência da Inglaterra. Não é o nosso caso. E talvez não deve ser ao acaso que Harriet Tubman consta na série de 20U$D.

Nesta luta angolana não houve SANTOS e ANJOS. Mas vos garanto que o maior DEMÔNIO foi a Máquina Colônial Europeia. Nós fomos mais vítimas do que culpados.
Deste lado tivemos as nossas responsabilidades, mas com certeza as maiores são as deles. Se Salazar e toda máquina interna e externa que o apoiava fossem mais humanos teríamos talvez um Agostinho Neto apenas grande escritor e médico, um Holdem Roberto apenas Grande professor, um Jonas Savimbi apenas médico e político numa assembléia legislativa, um José Eduardo dos Santos apenas grande músico ou grande jogador de futebol.

Queria ver o Kwanza mais forte e a humanidade angolano-africana mais diversa na unidade.

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