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27 de Maio, tentativa de golpe de estado

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Estimados compatriotas;

Caros amigos e amigas;

Prezados leitores;

Amanhã, muitos angolanos e estrageiros que vivenciaram o dia 27 de Maio de 1977, comemorarão o dia da tentativa de golpe de estado, em Angola Os demais angolanos, através dos diferentes meios de comunicação social, saberão um pouco mais sobre esse acontecimento político e militar, que causou graves consequências em termos perdas humanas e correspondentes consequências psico-emocionais.

O dia 27 de Março de 1977 deve estar marcado, na História de Angola, como uma data de tentativa de golpe de estado neste País. Com efeito, um grupo de elementos de Governantes do MPLA apoiados por militantes e simpatizantes desse partido tentou derrubar o poder instituído, por não ter estado de acordo com a política do primeiro Presidente de Angola, baptizada como a denominação«República Popular de Angola – RPA». Motivos raciais e tribais estiveram na base da tentativa de golpe de estado.

O derrube do poder por via da força era uma prática muito frequente em países africanos, sobretudo nos do centro e norte de África. Contudo, essa forma de se alcançar o poder político continua a ser uma prática no continente africano e noutros continentes, embora, nos nossos dias, a ela se reaja com protestos veemente e, em alguns casos, com aplicações de sanções internacionais aos seus agentes e com suspensão da participação em organizações internacionais.

A tentativa de golpe de estado de 27 de Maio de 1977, foi acompanhada de muita violência gratuita. Com efeito, os que tencionam assumir o poder mataram alguns membros do então Governo. Uma vez que os objectivos dos que se rebelaram contra o poder instituído não foram consumados, muitos deles puseram-se em fuga. Em reacção a essa sublevação e ao assassinato de alguns membros do governo, o poder reagiu agressivamente, tendo, com base nas suas acções, absorvido rigorosamente as máximas «olho por olho dente por dente» e«quem com ferro mata, com ferro morre». Assim, em todo território nacional, houve actos de caça aos homens. Em resultado disso, muitos organizadores e participantes e supostos participantes dessa insurreição foram capturados e barbaramente assassinados. A situação ficou fora do domínio da liderança do poder. Por conseguinte, muitos angolanos inocentes foram violentamente mortos, meramente, por motivos raciais, tribais e passionais, além do facto de muitos inocentes terem sido assassinados por causa dos respectivos elevados graus de formação, pela sua condição de«assimilados».*

Na verdade, a reacção do Poder instituído foi excessiva. Houve muitas mortes que teriam sido evitadas. Angola perdeu muito dos seus melhores quadros, alguns deles culpados, mas a maioria deles inocentes. Em consequência disso, o então Presidentes da República Popular de Angola, Dr. António Agostinho Neto, considerado humanista e sendo o«homem por quem se esperava», foi veemente criticado pela comunidade internacional, sobretudo por alguns estados africanos. Assim, a reacção sangrenta à tentativa de golpe de estado, passou a ser uma mácula no grande percurso político dessa grande figura do nacionalismo angolano e da luta pela libertação dos povos africanos, em particular os da África Austral, pois afirmou: «Na Namíbia e na África do Sul está a continuação da nossa luta».

É importante que a história de Angola seja bem contada. Não devemos ignorar o facto de os que tiveram a intenção de derrubar o Poder terem matado importantes figuras do Governo. Todas as vidas têm o mesmo valor. Por outro lado,«toda a acção pode ter uma reacção».** No entanto, como disse, houve uma reacção descontrolada e exacerbada do Poder, que deu azo a morte de muito inocentes.

Os intervenientes do 27 de Maio de 1977, quer os organizadores do plano do golpe de Estado, os denominados«fraccionistas», quer o Poder instituído, da sua reacção descontrolada, assassinaram muitos cidadãos. Houve uma autêntica matança! Por conseguinte, muita gente ficou na condição de viúvo/a ou órfão/órfã. Por outro lado, muitos progenitores perderam os seus filhos primogénitos ou seus melhores filhos, quer pela sua boa personalidade e/ou pelo seu grau de instrução.

Caros compatriotas, por ocasião do dia 27 de Maio, faço uma vénia em homenagem a todas as vítimas sangrentas das consequências do 27 de Maio de 1977, quer sejam culpados ou inocentes e inclino-me perante o sofrimento dos seus familiares e amigos. Que haja uma verdadeira reconciliação! Que o MPLA e as famílias dos assassinados no dia da tentativa de golpe de estado e as das vítimas sangrentas em consequência desse lamentável acontecimento solicitem a realização de missas, cultos ou reuniões religiosas, pedindo para a alma dos assassinados descanse em paz. O nosso Povo é religioso, pelo que é capaz disso.

Por último, faço um apelo ao Executivo que construa um monumento em homenagem às vítimas do 27 de Maios de 1977. Essa data negra faz parte da nossa história. Jamais será esquecida. Tampouco devemos ignorá-la.

Como seria bom se, em Angola, não houve os factos ocorridos e posteriores ao 27 de Maio de 1977!

José Carlos DE ALMEIDA

JOSECA

E-mail: josecarlosdealmeida@yahoo.com

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* «Assimilado» era uma condição social atribuída pelo colonialismo português a alguns angolanos, por terem hábitos e costumes semelhantes ao dos europeus, o se repercutia na concessão de alguns direitos.

 

**Prefiro alterar a máxima. Prefiro «Toda acção pode ter uma recção» a «Toda a acção merece uma reacção», pois, nem sempre reagimos a determinadas acções. As vezes, em nome da prudência, preferimos não reagir a diferentes actos e declarações praticadas e dirigidas contra nós, respectivamente.

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